Princípios da Estética - Paisagismo

O que é estética ?
"Entre a Sierra Nevada, Califórnia" - 1868
Óleo sobre tela - Albert Bierstadt
Foto de 
Google Arts & Culture

Essa publicação faz parte do guia “Passo a Passo - Como fazer Paisagismo Naturalista

Pra entender essa publicação, é preciso ter lido primeiro a publicação “Elementos da Comunicação - Paisagismo"

Os princípios da estética no paisagismo são regras básicas que ajudam a organizar os elementos do jardim de forma agradável e funcional. Eles orientam como plantas, formas, cores e volumes devem ser combinados para que o espaço seja fácil de entender e confortável de usar. 

Entre esses princípios estão a harmonia, a mensagem, o equilíbrio e a dominância. Esses conceitos ajudam a definir o que chama atenção e como os elementos se relacionam entre si. Quando bem aplicados, resultam em jardins mais organizados, claros e visualmente agradáveis.

Harmonia

Harmonia, no paisagismo, é a sensação de equilíbrio e coerência entre todos os elementos do jardim. Ela acontece quando formas, cores, texturas, volumes e espaços se relacionam de maneira organizada e fácil de entender.

Quando há harmonia entre as partes, o conjunto é percebido como bonito e confortável de observar. A unidade e a coerência entre os elementos facilitam a leitura do espaço e tornam a paisagem mais clara e agradável

Mesa de escritório organizada
Foto de www.cheriandrews.com

Já a falta de relação entre os elementos, ou o excesso de informações desconectadas, gera confusão visual e a sensação de desordem, que costuma ser percebida como algo não belo (feio).

Mesa de escritório desorganizada
Foto de wolverinecrossing.com

A harmonia é o que faz o jardim “funcionar” como um todo.

No paisagismo, a composição da paisagem se apoia em seis princípios básicos. Eles servem como guia para o arquiteto paisagista organizar formas, linhas, cores, texturas e volumes, criando espaços equilibrados, funcionais e cheios de significado.

Mensagem

A mensagem é o significado e a sensação que um espaço transmite às pessoas. É o “recado” que o projeto passa a quem usa o ambiente. Um bom projeto de paisagismo comunica a mensagem certa para o público certo e para a função do espaço.

Jardins com cores quentes e linhas curvas costumam transmitir alegria, energia e movimento, sendo muito adequados para espaços de convivência mais ativos.

Jardins de Boboli, Florença, Itália
Foto de suzyguese.com

Já jardins com predominância de cores frias e linhas horizontais, como espelhos d’água e áreas mais baixas e contínuas, criam uma sensação de calma e tranquilidade, sendo ideais para espaços de descanso.

Jardim Zen Japonês
Foto de aquascapes.com

Por isso, o uso de linhas, formas, texturas e cores precisa ter uma intenção clara. Esses elementos não devem ser escolhidos ao acaso, pois são eles que constroem a mensagem do espaço e orientam a experiência sensorial e emocional do usuário.

Equilíbrio

O equilíbrio é a sensação de estabilidade visual que percebemos em um projeto paisagístico. Mesmo com muitos elementos diferentes, o espaço precisa parecer organizado e estável aos olhos do observador.

Equilíbrio entre as Esferas
Foto de
 
www.sigarch.org



Jardim de Topiaria formando um labirinto
Foto de pressenet, pixabay.com

O equilíbrio formal ou simétrico, acontece quando os pesos visuais são distribuídos de forma igual em torno de um eixo central ou ponto focal. Esse tipo de equilíbrio transmite ordem, tranquilidade e solenidade, sendo mais adequado para composições calmas, com poucos contrastes e caráter mais estático.

Jardim de Topiaria Simétrico
Foto de ©Mayabuns
 

Já o equilíbrio informal, ou assimétrico, ocorre quando os elementos são distribuídos de maneira desigual, mas ainda assim o conjunto permanece equilibrado. Esse tipo de equilíbrio transmite movimento, dinamismo e naturalidade, sendo muito usado em composições mais vivas, com contrastes e sensação de espontaneidade.

Jardim assimétrico
Foto de Akabei


Equilíbrio simétrico e assimétrico
Ilustração do _iarchitect, Arpit Sharma - iArchitect (Arquitetura & Design)


O equilíbrio do jardim surge a partir da boa distribuição dos pesos visuais, como volumes das plantas, cores, texturas, formas e também dos espaços vazios. Não é a igualdade dos elementos que garante o equilíbrio, mas a relação entre eles.

O equilíbrio informal exige mais atenção na fase de projeto e implantação, pois demanda escolhas cuidadosas. No entanto, quando bem planejado, tende a exigir menos manutenção ao longo do tempo, já que se aproxima mais do comportamento natural da vegetação.

Uma regra comum de composição consiste em posicionar os principais elementos de destaque próximos aos pontos onde se cruzam as linhas que dividem o campo visual em quatro partes. Essa estratégia ajuda a criar uma leitura mais interessante e equilibrada do espaço.

Distribuição dos elementos no jardim
Ilustração de @oscordados.mss, feita com base na ilustração do livro
“Paisagismo. Elementos de Composição e Estética”

Dominância

A dominância é o destaque visual de um elemento em relação aos outros dentro de um espaço. Ela acontece quando um elemento se sobressai por causa da sua cor, forma, tamanho ou textura, passando a conduzir o olhar do observador e a organizar a leitura do ambiente.

Escultura dominante
Foto de www.bonicklandscaping.com

A dominância pode ocorrer de forma natural ou induzida. A dominância natural acontece espontaneamente na paisagem, sem a interferência do projetista. Um exemplo comum é uma árvore florida que se destaca em meio a outras árvores sem flores, tornando-se naturalmente o ponto de atenção do espaço.

Ipê Roxo de Bola (Handroanthus impetiginosus)
Foto de biologandoconmiguel

Já a dominância induzida é criada intencionalmente no projeto paisagístico. Nesse caso, o paisagista utiliza de forma consciente elementos como linha, forma, textura e cor para direcionar o olhar, criar hierarquia e destacar determinados pontos do jardim.

Esses elementos são aplicados com base em princípios visuais como contraste e analogia, ritmo e sequência, eixo e convergência, codominância e moldura. Esses princípios ajudam a organizar o espaço e a definir quais elementos terão maior ou menor importância visual.

Exemplo – Contraste

O contraste ocorre quando elementos opostos são colocados lado a lado, aumentando o destaque visual. Alguns exemplos são:
  • Linha vertical em oposição à linha horizontal
  • Forma circular em oposição à forma quadrada
  • Textura grosseira em contraste com textura fina
  • Cores frias em contraste com cores quentes
O contraste reforça a dominância, fazendo com que um elemento se sobressaia claramente em relação aos demais.

Contraste entre textura grosseira (Agave 'Blue Glow')
e textura fina (Miscanthus 'Morning Light')

Foto de www.verdancedesign.com


Contraste entre textura fina e cor quente (Hakonechloa macra 'aureola')
e textura grosseira e cor fria (Hosta sieboldiana)

Foto de www.scottarboretum.org


Exemplo – Analogia

A analogia acontece quando elementos com características semelhantes (análogos) são usados juntos, criando continuidade e suavidade visual. Exemplos incluem:
  • Linha vertical associada à linha inclinada
  • Forma circular associada à forma oval
  • Textura fina associada à textura lisa
  • Cores próximas no círculo cromático
A analogia contribui para a unidade e a harmonia da composição.

Analogia entre a verticalidade da rocha
associada aos caules inclinados dos bambus

Foto de www.bonicklandscaping.com


Analogia entre a forma circular da rocha
associada ao formato oval das pedras
Foto de
 
tapestrydesignstudios.com


Analogia entre cores próximas no círculo cromático
Foto de
 www.longfield-gardens.com

De forma natural, o cérebro humano tende a agrupar elementos semelhantes e a separar aqueles que são diferentes. Essa busca automática por padrões visuais explica a importância da dominância no paisagismo, pois ela ajuda a estruturar o espaço, orientar o olhar e tornar a leitura da paisagem mais clara e organizada.

Outras publicações importantes sobre Paisagismo Tradicional

(1) Noções Básicas - Paisagismo
(3) As 3 Regras Básicas do Paisagismo Naturalista
(4) A Escolha das Espécies no Paisagismo Naturalista


Esta publicação faz parte do guia “Passo a Passo - Como Fazer Paisagismo Naturalista”. Todas as referências utilizadas neste conteúdo estão listadas no guia. 

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