Elementos da Comunicação - Paisagismo


Mulher contemplando quadros em um museu
Foto de
 www.thefemword.world/

Essa publicação faz parte do guia “Passo a Passo - Como Fazer Paisagismo Naturalista”.

Pra entender essa publicação, é preciso ter lido primeiro a publicação “Noções Básicas - Paisagismo”.


No paisagismo, os elementos da comunicação são os recursos visuais usados para organizar o jardim e transmitir sensações a quem o observa. Eles funcionam como uma forma de linguagem, ajudando as pessoas a entender o espaço, seus usos e o clima que o projeto quer criar. Por meio desses elementos, o jardim ganha identidade, ordem e uma leitura mais clara. 

Os principais elementos da comunicação no paisagismo são a linha, a forma, a textura e a cor. A forma como esses elementos são combinados define como o jardim é percebido e vivenciado.

Linha

A linha pode ser entendida como um limite ou uma direção que orienta o olhar dentro do espaço. No paisagismo, ela aparece tanto em elementos naturais quanto em elementos construídos e tem um papel importante na organização e na leitura visual do projeto.

Linha formando corações
Foto de
 BiancaVanDijk

As linhas horizontais são facilmente percebidas em gramados, no horizonte do mar, em lagos, espelhos d’água e em áreas de plantio contínuo. Elas ajudam a criar uma sensação de estabilidade e continuidade.

Linha do horizonte
Foto de
 
www.casalmisterio.com

Já as linhas verticais estão presentes nos troncos das árvores, em edifícios, torres e outros elementos altos, chamando mais a atenção do observador.

Linhas da Marina de Dubai
Foto de
Norlando Pobre
 

As linhas podem agrupar elementos semelhantes ou destacar elementos diferentes por meio do contraste. Em um projeto onde predominam linhas retas, a presença de linhas curvas e orgânicas tende a se destacar visualmente. Da mesma forma, quando um espaço é dominado por linhas horizontais, a introdução de linhas verticais faz com que esses elementos verticais ganhem mais importância e se tornem dominantes.

Estética Minimalista
Foto de
 
landmarksarchitects.com

O equilíbrio visual acontece quando há uma boa relação entre linhas horizontais e verticais. As linhas horizontais transmitem calma, descanso e tranquilidade. As linhas verticais estão associadas à força, à nobreza e à grandiosidade. Já as linhas curvas trazem leveza, movimento e dinamismo, tornando o espaço mais fluido e agradável.

Centro Cultural Heydar Aliyev, do arquiteto Saffet Kaya Bekiroglu
Baku, Azerbaijão
Foto de
archello.com
 

Forma

A forma surge quando as linhas se fecham, criando figuras e volumes no espaço. No paisagismo, a forma dos elementos (sejam plantas, caminhos ou construções) influencia diretamente a maneira como o ambiente é visto e sentido pelas pessoas.

Cada forma desperta sensações diferentes, e essa leitura depende do seu tamanho, da proporção e do contexto em que está inserida.

Formas grandes costumam chamar mais atenção e passam uma sensação de peso e força.

Museu de Oct Design / Studio Pei-Zhu
Foto de
archello.com
 

Já as formas menores tendem a ser percebidas como mais leves, delicadas e discretas, contribuindo para uma leitura mais suave do espaço.

Textura

A textura é o elemento que permite perceber visualmente a superfície de um objeto, mesmo sem tocá-lo. Ela transmite sensações principalmente por meio do olhar, ajudando a definir o caráter e a atmosfera do espaço. 

Ilustração da textura do solo
Foto de
perFret_DESIGN

As superfícies são formadas por combinações de linhas, formas e cores. Quando esses elementos se repetem de maneira organizada, criam uma textura. Essa textura varia conforme o tamanho das partes que se repetem (escala), sua forma e sua cor.

Podemos entender a textura como um padrão visual que se repete em uma determinada área. A forma como ela é percebida muda de acordo com a distância do observador: quanto maior a distância, menos detalhes são percebidos e mais uniforme a textura parece.

Textura vista em trama
Foto de
www.pngmart.com

No paisagismo, a textura é uma ferramenta importante para criar sensação de profundidade, mesmo em jardins pequenos. Plantas de textura fina, com folhas pequenas, colocadas ao fundo, e plantas de textura grossa, com folhas grandes, no primeiro plano, fazem o espaço parecer maior. Quando essa lógica é invertida, o jardim parece mais próximo e compacto.

Texturas diferentes geram sensações diferentes. Texturas finas transmitem leveza, calma e descanso visual.
Folhas pequenas de um gramado
Foto de
geralt
 


 Grãos de areia em uma duna
Foto de mokhaladmusavi


 Detalhes da estrutura de uma Pena
Foto de wal_172619_I

Já as texturas grossas e brilhantes passam sensação de peso e destaque, sendo muito usadas para valorizar pontos específicos do projeto paisagístico.

Blocos
Foto de PoldyChromos

Cor

A cor é um dos elementos mais importantes na percepção visual do paisagismo. Ela pode ser entendida a partir do círculo/polígono das cores, que ajuda a visualizar como as cores se relacionam entre si.

Círculo/polígono das cores
Foto de Basallt


Círculo/polígono das cores
Ilustração de Edwallace amorim

As cores podem ser combinadas de várias formas no paisagismo. Essas combinações, chamadas de esquemas de cores, influenciam a forma como o jardim é visto.

De maneira geral, existem três tipos principais de esquemas de cores usados em projetos de jardim: monocromático, análogo e complementar.

 Esquema de Cores
Ilustração de www.fast-growing-trees.com


Cores Monocromáticas

O esquema monocromático utiliza apenas uma cor, variando seus tons e intensidades. Esse tipo de jardim costuma transmitir sensação de unidade, elegância e tranquilidade. No entanto, exige atenção na escolha das plantas para que o espaço não fique visualmente monótono (tedioso, chato).

Jardim com cores monocromáticas
Foto de Peter Krumhardt


Exemplo de cores monocromáticas
Foto de www.longfield-gardens.com


Cores Análogas

Os esquemas de cores análogos são formados por cores próximas no círculo cromático, como amarelo, amarelo-alaranjado, laranja e vermelho-alaranjado. Essas combinações criam transições suaves e pouco contraste, sendo muito usadas em jardins com aspecto mais natural e em espaços pensados para descanso e relaxamento.

Jardim com cores análogas
Foto de Ed Gohlich


Exemplo de cores análogas
Foto de
 www.longfield-gardens.com


Cores complementares

Já os esquemas de cores complementares utilizam cores opostas no círculo cromático, como vermelho e verde, azul e laranja ou amarelo e violeta. Esse tipo de combinação gera maior contraste visual, ajudando a destacar pontos específicos do jardim e a conduzir o olhar de quem observa. No paisagismo, o uso de cores complementares deve ser feito com moderação, pois o excesso pode gerar sensação de conflito visual e cansaço.

Jardim com cores complementares
Foto de Peter Krumhardt


Exemplo de cores complementares
Foto de
 
www.longfield-gardens.com


Existem diferentes tipos de cores, e cada uma delas provoca sensações e reações distintas em quem observa. Por isso, no paisagismo, a cor não serve apenas para enfeitar, mas também para comunicar sensações e influenciar a forma como o espaço é percebido.

Grande parte dessas sensações está ligada à temperatura da cor (se ela é quente ou fria) e também à sua intensidade, luminosidade e saturação. Esses fatores determinam se uma cor chama mais atenção, transmite calma, cria sensação de proximidade ou de afastamento dentro do jardim.

Cores quentes e frias
Foto de git.mittoevents.com



Cores quentes e cores frias
Foto de
 Bia Jiacomine


Cores quentes e fores frias
Foto de
Brumisha brecho 


Cores Quentes

As cores quentes, como vermelho, laranja e amarelo, estão associadas à energia, movimento e agitação. Elas estimulam a ação e criam ambientes mais alegres e dinâmicos, sendo indicadas para áreas de convivência e jardins mais ativos. Visualmente, as cores quentes parecem mais pesadas e avançam em direção ao observador, dando a sensação de proximidade e ocupando mais espaço. Por isso, funcionam melhor em locais bem iluminados.

Jardim com cores quentes
Foto de Matthew Benson


Jardim com cores quentes
Foto de
 
www.provenwinners.com


Cores Frias

As cores frias, como azul, verde e violeta, transmitem calma, tranquilidade e sensação de descanso. São ideais para jardins contemplativos e áreas de relaxamento. Essas cores parecem mais leves e profundas, recuando visualmente e criando a sensação de afastamento. Áreas sombreadas ou mais escuras do jardim produzem um efeito parecido.

Jardim com cores frias
Foto de Denny Schrock


Jardim com cores frias
Foto de Sandi Schwartz

Na composição do paisagismo, grandes massas de vegetação com uma única cor costumam ter mais impacto visual do que a mistura excessiva de cores. Trabalhar com maciços de cores uniformes, alternando os blocos ao longo do espaço, torna a leitura do jardim mais clara, organizada e harmoniosa.


Outras publicações importantes sobre Paisagismo Tradicional

(1) Noções Básicas - Paisagismo
(2) Princípios da Estética - Paisagismo

Outras publicações importantes sobre Paisagismo Naturalista



Esta publicação faz parte do guia “Passo a Passo - Como Fazer Paisagismo Naturalista”. Todas as referências utilizadas neste conteúdo estão listadas no guia. 

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