Noções Básicas - Paisagismo


Noções básicas
Foto de
 ds_30


Essa publicação faz parte do guia “Passo a Passo - Como Fazer Paisagismo Naturalista”.


As noções básicas de paisagismo são conceitos que ajudam a entender, planejar e organizar os espaços externos de forma prática e agradável. Elas orientam como o jardim é percebido e como as pessoas se relacionam com o espaço.

Entre essas noções estão os conceitos de espaço físico e espaço psicológico, lugar e não lugar, proporção e escala e os diferentes estratos vegetais existentes.

Espaço Psicológico

O espaço é percebido a partir das sensações e da experiência de quem o utiliza. A forma como um ambiente é entendido não depende apenas do seu tamanho real, mas de como seus elementos estão organizados e de como são percebidos pelos sentidos, principalmente pela visão e pelo tato.

Escritório no Ambiente de Trabalho Híbrido
Foto de
www.heritageoffice.com
 

Diferentes formas de organizar um espaço geram percepções diferentes. Por exemplo, quando visitamos uma construção ainda na fase de fundação, sem paredes ou divisões verticais, é comum termos dificuldade em entender o tamanho real do ambiente. Muitas vezes, o espaço parece menor ou mais apertado do que realmente é.

Casa no alicerce
Foto de myhousemyhomemyheart.blogspot.com


Casa no alicerce
Foto de
nossacasanachacara.blogspot.com
 

À medida que paredes, acabamentos, cores, revestimentos e móveis são adicionados, surgem referências verticais e horizontais que ajudam o observador a “ler” melhor o espaço. Essas referências facilitam a percepção de altura, largura e profundidade do ambiente.

Casa em construção
Foto de
roimetalbuildings.com
  

Por isso, construtoras utilizam apartamentos decorados como ferramenta de venda. Eles permitem que o visitante compreenda de forma mais clara a escala, a proporção e o conforto do imóvel, tornando a experiência mais próxima da realidade final.

Apartamento decorado
Foto de
 
www.thenordroom.com


Espaço Físico

O espaço físico é aquele que pode ser definido e medido de forma objetiva, com base em dados matemáticos e geométricos, como dimensões, áreas, alturas e distâncias. É o espaço real, mensurável e delimitado, que existe independentemente da percepção de quem o utiliza.

Esse espaço influencia diretamente a forma como os elementos interagem entre si. No paisagismo, por exemplo, árvores e arbustos de grande porte ocupam grande volume e área, reduzindo fisicamente o espaço disponível.

Jardins de Marqueyssac
Dordogne, França
Foto de www.somuchmoretosee.com

Por outro lado, esses mesmos elementos ajudam a tornar o ambiente menos árido e mais agradável.

Espaço sem vegetação
Foto de
www.the1896.com
 

Além disso, podem ampliar a sensação de espaço ao criar profundidade, enquadramentos e interesse visual, mesmo que o espaço físico não tenha aumentado.

Quando a vegetação de áreas vizinhas ultrapassa os limites do jardim, como muros ou cercas, a leitura do espaço se amplia. Esse efeito é conhecido como continuidade das massas verdes: visualmente, o jardim parece se estender além de seus limites reais, dando a sensação de um espaço maior do que aquele que existe fisicamente.

Jardim no condado de Dorset
Inglaterra

Foto de ©Bennett Smith


Jardim Harriet’s Fence
Foto de www.finegardening.com


Jardim Naturalista
Foto de
 
www.gardenary.com


Lugar

É o espaço onde as pessoas permanecem. Ele é pensado para oferecer conforto, bem-estar e uso por mais tempo, favorecendo a convivência, o encontro e a experiência do ambiente. Jardins, praças, áreas de descanso e estar são exemplos de lugares, pois convidam o usuário a parar, permanecer e vivenciar o espaço.

Bancos em um jardim
Foto de
 www.kinseyfamilyfarm.com


Não lugar

É o espaço destinado principalmente à circulação e ao deslocamento. Sua função é ligar um lugar a outro, funcionando como área de passagem, e não como espaço de permanência. Caminhos, corredores, acessos e circulações internas são exemplos de não lugares.

Não lugar (caminhos)
Foto de
 www.housebeautiful.com

 
Não lugar (caminhos)
Foto de
 www.mvvainc.com

Para que um espaço seja claramente percebido como um lugar, é importante que os não lugares estejam bem definidos. Essa separação cria uma hierarquia espacial, deixando evidente quais áreas são pensadas para permanência e quais são destinadas apenas ao movimento. Essa organização melhora a leitura do ambiente e torna o uso do espaço mais intuitivo e confortável.


Proporção

É a relação de harmonia entre as partes e os elementos que compõem um jardim. A proporção ajuda a criar equilíbrio visual e influencia diretamente a forma como o espaço é percebido por quem o utiliza.

O Homem Vitruviano, de Leonardo da Vinci
Foto de
indigomusic.com
 


Decoração desproporcional
Foto de
 hanzo.co

Ela é percebida de maneira sensorial, principalmente pela visão, e está relacionada ao tamanho dos elementos, à escala do jardim e à forma como plantas, caminhos, mobiliários e volumes se relacionam entre si e com o espaço como um todo. Quando a proporção é bem aplicada, o ambiente se torna mais agradável, confortável e fácil de compreender.

Escala

É a relação entre o tamanho dos espaços (tanto os lugares de permanência quanto os de passagem) e as pessoas que os utilizam. A escala humana parte da ideia de que os ambientes devem ser pensados de acordo com as proporções, limites e necessidades do corpo humano.

Tamanho corporal médio
Foto de
 
www.pngfind.com


Percepção do ambiente
Foto de
 
www.studiolaforte.com/


Escala da área
Foto de
 
www.archdaily.com.br


Espaços grandes demais podem causar desconforto. Estar sozinho em um estádio de futebol, por exemplo, pode gerar sensação de perda de referência e até de opressão.

Sozinho em um estádio
Foto de David Ramos


Da mesma forma, espaços muito pequenos podem provocar desconforto, sensação de aperto e claustrofobia.

Espaço apertado
Foto de www.tes.com

Por outro lado, espaços amplos também podem ser agradáveis quando associados à contemplação. Observar a paisagem do alto de uma montanha é confortável justamente porque existe distância, abertura visual e ausência de pressão física.

Mirante Nam Xay
Vang Vieng, Laos
 
Foto de
www.tripadvisor.com.br

Da mesma forma, duas pessoas próximas em um campo aberto criam, pela proximidade entre si, uma “bolha” de intimidade, fazendo com que o grande espaço ao redor perca importância.

Piquenique no Parque
Foto de
 www.theheartbandits.com

A sensação de conforto ou desconforto depende da escala do espaço, das referências visuais presentes e do uso previsto. Ambientes pensados para conversas, descanso ou permanência costumam ser menores e mais acolhedores, favorecendo a proximidade entre as pessoas.

 Lanche no jardim
Foto de
 
www.moveisefibras.com.br

Já espaços destinados a grandes grupos precisam ser mais amplos, permitindo circulação, dispersão e conforto coletivo.

Expodireto Cotrijal
Audiência pública

Foto de www.expodireto.cotrijal.com.br


Estratos Vegetais

Os estratos vegetais são as diferentes “camadas” de altura que as plantas formam dentro do jardim. Essas camadas são definidas pelo tamanho, pela altura, pelo volume e pelo papel que cada planta exerce no espaço.

Organizar as plantas dessa forma ajuda a dar estrutura ao jardim, ajustar melhor a proporção dos espaços e criar limites naturais entre áreas. Também permite transições mais suaves e ambientes mais confortáveis para quem usa o jardim.
 
Quando os estratos são bem utilizados, o jardim fica mais equilibrado, mais fácil de entender visualmente e muito mais agradável.

Estrato Arbóreo (Dossel Florestal)

O estrato arbóreo é formado por árvores de grande porte, com tronco bem definido e copa elevada. 
Altura média fica aproximadamente entre 8 a 25 metros (ou mais, dependendo da espécie).

Salgueiro Chorão (Salix babylonica)
Foto de Didier Descouens

Esse estrato cria o “teto” do espaço paisagístico, permitindo que o observador circule sob a copa, atravessando o espaço abaixo das folhas. É fundamental para sombreamento, conforto térmico e definição da escala geral do projeto.


Estrato das Arvoretas (Sub-bosque)

As arvoretas possuem porte intermediário entre árvores e arbustos.
Altura média fica aproximadamente entre 3 a 8 metros.

Resedá (Lagerstroemia indica)
Foto de Guillaume Mamdy

Apresentam tronco curto ou múltiplos troncos e copa mais baixa, sendo utilizadas como elementos de transição de escala entre o estrato arbóreo (dossel) e os estratos inferiores. Dependendo da densidade da copa e da condução, podem permitir passagem parcial do observador.


Estrato Arbustivo 

O estrato arbustivo é formado por arbustos de médio a grande porte, geralmente ramificados desde a base.
Altura média fica aproximadamente entre 1 a 3 metros. 

Hydrangea paniculata
Foto de
 
www.gardenhike.com

Esse estrato cria barreiras visuais e físicas, sendo usado para delimitar espaços, formar maciços, bordas e fundos de jardim. Normalmente, não permite a passagem do observador.

Estrato Subarbustivo

Os subarbustos apresentam porte inferior ao dos arbustos, com caules parcialmente lenhosos.
Altura média fica aproximadamente entre 50 cm a 1,5 metros.

Buxus microphylla var. japonica 'Wintergreen'
Foto de
 
hahiranursery.com

Funcionam como camada intermediária entre o estrato arbustivo e o herbáceo, contribuindo para o preenchimento visual, a transição de volumes e a leitura contínua do espaço.

Estrato Herbáceo (Ervas)

O estrato herbáceo é formado por ervas de caule não lenhoso, perenes ou de ciclo curto (anuais).
Altura média fica aproximadamente 30 cm  a 1 metro. 

Jardim formado por estrato herbáceo
Foto de
 fiftyfivedegreesnorth.blogspot.com

Esse estrato acrescenta textura, cor, ritmo e variação sazonal ao paisagismo, geralmente permitindo a passagem visual e, em alguns casos, física do observador.

Estrato das Forrações

O estrato de forrações é composto por espécies de porte muito baixo e crescimento rasteiro, formando tapetes vegetais contínuos
Altura média fica aproximadamente entre 5 a 30 cm.

Cotoneaster microphyllus 'Cooperi'
Foto de
landscapeplants.oregonstate.edu
 

Esse estrato estrutura o plano do solo, protege contra erosão e plantas invasoras e pode permitir ou não a circulação, conforme a resistência ao pisoteio.

Croqui, Esboço e Projeto

A vegetação pode ser representada por meio de desenhos em planta, que mostram o jardim visto de cima, ou em cortes, que revelam o perfil vertical do espaço e a relação entre os diferentes estratos vegetais. Essas duas formas de representação ajudam a entender tanto a distribuição das plantas no terreno quanto a organização das alturas no paisagismo.

O croqui e o esboço são usados nas etapas iniciais do trabalho. Eles servem para testar ideias, experimentar combinações e pensar o espaço de forma rápida e livre, sem preocupação com medidas exatas. Já o projeto é a etapa mais técnica, onde essas ideias são organizadas em desenhos precisos, com escala, símbolos e informações necessárias para que o jardim possa ser executado corretamente.

As ilustrações abaixo apresentam as etapas iniciais no planejamento de um jardim.

Elas foram retiradas do livro Plant Perfect Activity Book, da designer de jardins Amy, que ensina 9 passos simples para criar o layout de um jardim de forma prática e eficiente.

Ilustrações sobre o desenho do jardim
Ilustrações do livro Plant Perfect Activity Book


Ilustrações sobre o desenho do jardim
Ilustrações do livro Plant Perfect Activity Book


Ilustrações sobre o desenho do jardim
Ilustrações do livro Plant Perfect Activity Book


Ilustrações sobre o desenho do jardim
Ilustrações do livro Plant Perfect Activity Book



Outras publicações importantes sobre Paisagismo Tradicional

(1) Elementos da Comunicação - Paisagismo
(2) Princípios da Estética – Paisagismo

Outras publicações importantes sobre Paisagismo Naturalista



Esta publicação faz parte do guia “Passo a Passo - Como Fazer Paisagismo Naturalista”. Todas as referências utilizadas neste conteúdo estão listadas no guia. 

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